Iêmen: desalojados por guerra são forçados a viver em aterro sanitário

Por: Ipu Online em | 21.1.18 | 0 comentários

ONU estima que mais de 2 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas por causa dos conflitos no país. Fome e cólera assolam população


Depois que a casa da família Ruzaiq, no nordeste do Iêmen, foi atingida por diversos bombardeios de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, eles decidiram arrumar suas malas e ir para Hodeida — região considerada mais segura às margens do mar Vermelho.

Sem dinheiro ou parentes para recebê-los, entretanto, os Ruzaiq — cuja família tem 18 membros — foram obrigados a viver em um assentamento de desalojados que se estabeleceu próximo a um aterro sanitário na cidade costeira.

Apesar de todos os riscos que o lixo oferece à saúde dos desalojados, os resíduos acabaram se tornando uma fonte de alimento para os Ruzaiq e outras famílias. Alguns inclusive utilizam os materiais descartados como forma de ganhar dinheiro. "Nós comemos e bebemos o que é jogado forma", disse Ayoub Mohammed Ruzaiq, de 11 anos, à agência Reuters.

— Nós recolhemos peixe, carne, batatas, cebolas e farinha para fazer nossas refeições

A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que mais de 2 milhões de pessoas foram desalojadas pela guerra no Iêmen, em curso desde 2015. O conflito se intensificou depois que a Arábia Saudita interveio para tentar trazer de volta ao poder o presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi — que havia sido forçado ao exílio.

Foto: REUTERS/Abduljabbar Zeyad/14.01.2018
A guerra já matou mais de 10 mil iemenitas, paralisou a economia no país, causou uma epidemia de cólera que levou pelo menos 2 mil a óbito e colocou o Iêmen à beira da fome.

Fatema Hassan Marouai, de 53 anos, é uma das mulheres que vive no terro de Hodeidah por conta das dificuldades financeiras. Ela conta que, além de coletar a comida descartada por iemenitas mais ricos, alguns dos desalojados recolhem latas de metal e garrafas plásticas vender a comerciantes locais — a renda proveniente dessa atividade, entretanto, também vem diminuindo, de acordo com Fatema.

Comerciantes que antes pagavam 50 rials iemenitas (aproximadamente R$ 0,50) por 1 kg de garrafas plásticas, hoje oferecem um quinto do valor. “Já estávamos em uma situação complicada e a guerra piorou as coisas”, afirma Fatema.

O patriarca da família Ruzaiq, Mohammed, de 67 anos, reforça que os iemenitas não pedem ajuda de internacional — só boa vontade das autoridades locais para acabar com a guerra. "Tudo o que queremos é que eles parem com essa calamidade e Deus nos ajudará", concluiu.

Portal R7

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