Alunos do CE arrecadam dinheiro para ir à Nasa

Por Ipu Online — publicado | 5.4.18 | 0 comentários


O incentivo de "sonhar alto", geralmente dado às crianças e jovens em formação, parece ter funcionado perfeitamente para um grupo de 14 alunos do Colégio Dom Felipe, no bairro Quintino Cunha. A instituição foi a única em Fortaleza a ser selecionada pelo Kennedy Space Center International Academy (KSCIA) para participar da Jornada Internacional de Ciência e Tecnologia 2018, que acontecerá em uma região da Flórida, nos Estados Unidos.

O projeto, que acontece de 15 a 20 de outubro, permitirá que os alunos participem da imersão em conteúdo relacionado à Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês). Destes, quatro se passarão no Centro de Educação Espacial, no Kennedy Space Center, da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa). As aulas do quinto e último dia acontecerão em uma universidade americana vinculada à NASA, de acordo com Priscila Reis, coordenadora pedagógica do Colégio Dom Felipe.

O objetivo do projeto é motivar jovens talentos a construírem estudos e carreiras nas áreas do STEM, que apresentam um grande déficit de profissionais qualificados e uma grande quantidade de vagas disponíveis no mercado de trabalho mundial.

"Eu participei de um evento internacional de educação, e, nesse evento, houve uma palestra sobre a tecnologia dentro da educação. Nessa palestra, eu ouvi que a Nasa fazia alguns projetos com escolas do mundo inteiro, mas nada específico. Aí eu resolvi, por conta própria, mandar um e-mail para a Nasa perguntando como era esse projeto que eles desempenhavam. Eles me retornaram e me direcionaram para o coordenador de educação do setor de lá", explica a coordenadora pedagógica.

Engajados
Até a seleção da escola para o projeto ser confirmado, o processo se estendeu de maio a agosto do ano passado. Um dos pré-requisitos exigidos para o ingresso no projeto era de que o estudante tivesse participado de olimpíadas. "Eles precisavam estar engajados, e são todos alunos de olimpíadas de química, matemática e física. Eram 22 alunos, mas só 14 podiam ir, por isso teve a seleção a pedido da Nasa", diz Priscila.

Para que a oportunidade única se concretize, porém, ainda há obstáculos a serem enfrentados. Como parte do planejamento da viagem, a Nasa estabeleceu um valor de 2.900 dólares a ser pago por cada estudante, que cobrirá os gastos de transporte, estadia e alimentação. A empresa oferecerá somente as aulas de forma gratuita. "Como alguns alunos são bolsistas, fica mais difícil. Por isso a escola está organizando bingo e rifa para ir arrecadando, e a gente só tem até maio pra entregar, porque precisa fechar com hotel nos Estados Unidos", revela. A quantia referente às passagens de ida e volta dos alunos já foi paga, mas ainda falta boa parte do valor total. A escola foi responsável por custear a ida dos alunos ao Recife para a retirada do visto americano. Pais de alunos se mobilizaram para a arrecadação, e os próprios alunos contribuem com vendas de dindim e cocada.

Preparada
A ida ao Estados Unidos para estudar na Nasa é, segundo Sthefanny Cavalcante, de 14 anos, um grande investimento. Para a aluna do 9º ano do Ensino Fundamental no Colégio Dom Felipe, Matemática e Química são as matérias que mais interessam. "O meu inglês 'tá indo'. Eu fui na feira EducationUSA Brasil na última terça-feira (3) para conversar em inglês com os representantes de universidades americanas que estavam lá. Eu precisava me testar", revela.

"Pelos filhos, a gente faz de tudo. Eu cheguei agora de uma faxina para juntar um dinheiro para ajudar. A Sthefanny é uma menina muito inteligente e esforçada. Ela é bolsista na escola. Eu tenho muito orgulho, e acredito que o que eu não tive, ela pode conseguir", conta Maria da Paz, mãe de Sthefanny, conhecida como 'Paizinha'.

Doações:
Banco: Caixa Econômica
Empresa: Barbosa e Reis Serviços Educacionais
Agência: 1887
Operação: 003 - Conta: 37-0

Diário do Nordeste

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