General cearense vai chefiar missão de paz da ONU

Por Ipu Online — publicado | 14.4.18 | 0 comentários

Elias Rodrigues Martins Filho foi escolhido para comandar 16.500 homens em operação de paz na África Central

Natural de Fortaleza, o general Martins Filho será o 2º comandante brasileiro na Missão de Paz das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Foto: US Army)
Nova York. O secretário-geral da ONU, António Guterres, acaba de nomear o general cearense Elias Rodrigues Martins Filho como novo comandante da Missão de Paz das Nações Unidas na República Democrática do Congo, país localizado na África Central. Ele vai chefiar um força de mais de 16.500 militares da ONU de quase 50 nacionalidades. Intitulada de "Monusco", é a maior operação das Nações Unidas no continente africano.

Ele sucede o general Derrick Mbuyiselo Mgwebi, da África do Sul, que encerrou sua missão em 31 de janeiro passado. O resultado do processo de seleção, que durou quase quatro meses, foi anunciado na sexta.

O general Martins, que atualmente ocupa a chefia do Escritório das Organizações Internacionais do Ministério da Defesa, tem mais de 35 anos de experiência nas Forças Armadas brasileiras e já serviu nas Nações Unidas em Nova Iorque.

Perfil
Nascido em Fortaleza em 1960, casado e pai de três filhos, Martins Filho já ocupou, entre outros cargos, o de chefe de inteligência do Ministério da Defesa do Brasil e de Oficial de Comando do Batalhão da Guarda Presidencial, de 2009 a 2011.

Elias Rodrigues Martins Filho também foi o encarregado de planejamento do Departamento das Operações de Paz entre 2005 e 2008, e vice conselheiro militar da Missão Permanente do Brasil, em Nova Iorque. Na década de 1990, ele serviu na Missão III da ONU de Verificação em Angola.

O novo comandante da missão Monusco é pós-graduado em Relações Internacionais e formado pela Escola Superior de Guerra. Ele será o segundo comandante brasileiro na Missão de Paz das Nações Unidas na República Democrática do Congo. O primeiro foi o general Carlos Alberto dos Santos Cruz.

O general cearense espera do novo cargo esforços para "permitir que o processo político acordado entre as lideranças do Congo avance, inclusive o processo eleitoral no país previsto para o final deste ano".

Conflitos
As próximas eleições presidenciais estão previstas para 23 de dezembro deste ano. A tensão política na RD do Congo é elevada desde setembro de 2016, quando explodiram confrontos entre jovens e forças de segurança deixando um elevado saldo de mortes, durante manifestações de católicos contra o presidente do Congo, Joseph Kabila.

Atualmente, o país africano registra ainda episódios de violência por causa de conflitos nos povoados, ação de milícias e mercenários. No mês passado, na província de Ituri, no nordeste do país, 49 pessoas morreram, segundo balanço da ONG católica Cáritas, após conflitos entre as comunidades hema e lendu.

Os agressores, apresentados como membros da comunidade lendu, atacaram os hema. Os criadores de animais hema e os agricultores lendu disputam terras na região. Essa é uma das numerosas fontes de violência no turbulento leste do Congo. Os episódios de violência se sucedem em Ituri desde dezembro e já deixaram centenas de mortos.

Diário do Nordeste

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