Jovem do DF é estuprada por 5 homens; família alega omissão da polícia

Por: Ipu Online em | 12.4.18 | 0 comentários


Corregedoria da Polícia Civil de Goiás investiga queixas. Parentes dizem que agentes fizeram perguntas 'constrangedoras'; delegado nega.

Jovem é violentada e depois constrangida na delegacia
Uma jovem de 20 anos foi estuprada por cinco homens depois de ser sequestrada enquanto esperava o ônibus para voltar para casa, no Distrito Federal. O crime ocorreu por volta das 19h de domingo (8) no Novo Gama, cidade do Entorno do DF.

Segundo a família, ela tinha acabado de sair da casa da madrasta, no Pedregal, em Goiás, e seguia em direção à casa onde mora, em Santa Maria, no DF. No trajeto até a parada de ônibus, de acordo com os parentes, ela foi rendida por dois homens, que roubaram o celular e fugiram.

Minutos depois, ainda conforme a família, a dupla voltou com outros três homens e, sob ameaça de uma arma de fogo, a jovem foi obrigada a entrar em um carro. Ela relatou à Polícia Civil que ficou cerca de 1 hora e 30 minutos com os sequestradores e que, depois de ser estuprada, foi jogada para fora do carro em um matagal.

'Despreparo'
O estupro, no entanto, não foi a única violência sofrida pela jovem naquela noite, afirmaram familiares. A mãe relatou à TV Globo que houve "despreparo" dos policiais da central de flagrantes em Valparaíso de Goiás – onde foi registrada a ocorrência –, para lidar com o caso.

"[Ficavam] perguntando se ela tava drogada... Perguntando se ela usava droga."

Ao G1, a Polícia Civil de Goiás afirmou que o delegado da regional de Luziânia – que fica responsável também pela área do Novo Gama –, Rodrigo Mendes, encaminhou as queixas para a Corregedoria da corporação nesta terça (10). Se forem comprovadas falhas na conduta dos policiais, eles poderão responder administrativamente.

Segundo a polícia, a investigação está no Novo Gama, o inquérito foi instaurado e o delegado deve ouvir a vítima ainda nesta terça. A corporação explicou que a jovem foi atendida, primeiramente, pelo plantão da delegacia de Valparaíso. O caso, então, foi encaminhado à unidade do Novo Gama.

Fachada da 2ª Delegacia de Polícia de Valparaíso de Goiás (Foto: TV Globo/Reprodução)
Perguntas 'constragedoras'
De acordo com a mãe da jovem, só havia homens entre os policias durante o depoimento da filha em Valparaíso. Eles teriam feito perguntas "constragedoras" sobre a violência sexual, chegando a pedir que a jovem detalhasse o estupro.

"Tinha pele do estuprador nas unhas dela. Ela mostrou para os policiais e eles ignoraram. Falando que não era prova porque eles não 'iam levá-la para o IML."

A família disse, ainda, que o delegado responsável pela ocorrência sequer pediu a alguém da equipe que levasse a jovem ao Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia, para fazer o exame de corpo de delito. "Só falou que não podia levar ela pro IML, que não ia levá-la ao IML", disse a mãe.

O pedido de encaminhamento para exame pericial de "constatação de conjunção carnal" chegou a ser feito pelo delegado Cassius Zamó, que assina o documento. Mas a família diz que, neste momento, já era madrugada e que não foi possível levar a jovem ao IML por falta de transporte.

A menina foi levada ao Hospital Regional do Gama (HRG). Lá, recebeu medicações contra doenças sexualmente transmissíveis, mas acabou perdendo provas que poderiam ajudar na identificação dos criminosos.

Fachada do Hospital Regional do Gama, no Distrito Federal (Foto: TV Globo/Reprodução)
"Ela falava: 'ó, eu tenho um cabelo. Um cabelo da pessoa'. O policial falava que não era prova. E ainda perguntou: 'Mas esse cabelo ela conseguiu mordendo o estrupador?'", relatou a mãe.

A palavra da mulher
A especialista em direitos das mulheres Soraia da Rosa Mendes disse ao G1 que a delegacia não é obrigada a conduzir a vítima ao IML. Soraia, contudo, afirmou que a polícia falhou em não orientar a jovem a preservar as provas do estupro.

“Quero deixar bastante claro que a palavra da vítima deve ser levada em consideração e ser o centro gravitacional desse processo. Mas é fundamental que a prova material seja preservada, como restos de pele sob as unhas, resquícios de cabelos e prova do líquido seminal – caso tenha ocorrido conjunção carnal”, apontou a especialista.

G1 DF




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