Mark Zuckerberg também teve seus dados violados pela Cambridge Analytica

Por: Ipu Online em | 12.4.18 | 0 comentários


Nas cinco horas de audiência que se somaram às cinco da véspera, no Senado, o executivo respondeu aos congressistas sobre censura, discurso de ódio e racismo

(Foto: Arquivo Diário do Nordeste)
Os deputados americanos se prepararam melhor do que os pares no Senado e inquiriram o fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, sobre violação de privacidade, a natureza de seu negócio (se é afinal empresa de mídia, pois publica informação), monopólio e transparência.

Entre respostas protocolares e evasivas, a única revelação do depoimento desta quarta (11) foi que Zuckerberg é um dos 87 milhões de usuários do Facebook que tiveram dados pessoais coletados pela consultoria Cambridge Analytica, por meio de um aplicativo na plataforma, para criar propaganda política.

O escândalo levou o Congresso a submetê-lo às primeiras audiências desde que criou a rede social, em 2004.

Zuckerberg respondeu sobre seus dados à democrata Anna Eshoo, que questionou se ele considera ter responsabilidade moral, à frente o Facebook, de proteger a democracia. A resposta foi "sim".

Nas cinco horas de audiência que se somaram às cinco da véspera, no Senado, o executivo respondeu aos congressistas sobre censura, discurso de ódio e racismo (o Facebook foi acusado de permitir a veiculação de anúncios imobiliários vedando o acesso de pessoas negras).

Instado, admitiu, outra vez, a possibilidade de apoiar novas regras para empresas de tecnologia -"a internet vem crescendo tanto em importância que é inevitável que precisaremos de alguma regulação"- e foi pressionado a concordar que a plataforma se tornou uma empresa de mídia, o que refuta.

Zuckerberg também evadiu perguntas sobre a possibilidade de mudar o modelo de negócio da plataforma para proteger a privacidade das pessoas (boa parte da receita do Facebook vem da publicidade direcionada segundo hábitos online do usuário).

Lição de casa
Se o depoimento de terça falhou em romper o ceticismo dos senadores, muitos deles pouco familiarizados com negócios online, a Câmara se dividiu entre elogios como o do republicano Bill Johnson, para quem Zuckerberg revolucionou a comunicação, e perguntas incisivas sobre aspectos técnicos do Facebook.

Delas, esquivou-se várias vezes usando a expressão "não tenho conhecimento desse caso específico" ou "vou consultar a minha equipe e informo na sequência".

"O senhor é o CEO da empresa e não se lembra?", questionou a democrata Diana DeGette ao falar de um processo contra o Facebook.

Zuckerberg foi questionado sobre sua responsabilidade na difusão de conteúdo mentiroso, de ódio ou de incitação à violência –e se o eventual controle sobre esse material não seria censura.

Deputados republicanos, em especial, citaram publicações conservadoras derrubadas por denúncia de usuários. O fundador do Facebook defendeu que a plataforma é neutra, mas os congressistas voltavam ao assunto.

Muitos deputados perguntaram o que exatamente o Facebook rastreava, inclusive em outros aplicativos, ou se usa microfones do celular ou do computador para registrar conversas dos usuários.
Zuckerberg disse que não, alegando que há coincidência quando a plataforma oferece um anúncio de algo que o internauta mencionara.

O democrata Bobby Rush, evocando a responsabilidade social da gigante, comparou a atividade do Facebook com o monitoramento de ativistas pelo FBI na década de 1960.

DeGette evocou o risco de truste e pediu penas robustas para evitar reincidência. "Já ouvimos desculpas", disse sua colega Janice Schakowsky. "Autorregulação simplesmente não funcionou".

Folhapress


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