‘Choque elétrico’ pode ser usado antes contra depressão, diz estudo

Por Ipu Online — publicado | 9.5.18 | 0 comentários

Tratada muitas vezes como último recurso, a nova eletroconvulsoterapia pode ter melhores resultados se adotada como opção de terceira linha contra depressão, considera pesquisa publicada no 'JAMA Psychiatry'.

Pacientes passam por muitos medicamentos e poderiam ter encontrado alívio antes, diz estudo (Foto: Getty Images)
Com impulsos elétricos mais leves que os utilizados no começo do século XX, a eletroconvulsoterapia (ECT) poderia ser considerada já na terceira rodada de tratamento para a depressão (quando outros dois medicamentos já falharam). A conclusão é de pesquisa publicada nesta quarta-feira (9) no “JAMA Psychiatry”.

O método hoje é utilizado muito tarde e diminui as chances de remissão da doença, consideram pesquisadores. Eles salientam, contudo, que a escolha do tratamento para a depressão é pessoal e deve ser tomada pelo paciente, a partir de sua experiência, juntamente com as opções médicas disponíveis.

O trabalho, feito pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, revisou outros estudos sobre o tema. Pesquisadores escolheram trabalhos conceituados para chegar à uma conclusão sobre o custo-benefício da terapia.

Resultado: a eletroconvulsoterapia surtiu mais resultado naqueles pacientes que tentaram duas outras terapias sem sucesso. Se considerada muito tarde ou após muitos anos, as chances de remissão completa (quando o paciente fica livre da doença), diminuem.

Pesquisadores também avaliam que pacientes com sintomas resistentes tentam tratamentos por quatro anos; no entanto, continuam a apresentar sintomas da depressão.

Se adotarem a eletroconvulsoterapia mais cedo, consideram esses pesquisadores, esses pacientes poderiam ficar livres dos sintomas em dois terços do tempo.

Ilustração de aparelho utilizado para o procedimento; impulsos elétricos são mais leves que antes, diz estudo (Foto: Universidade de Michigan)
Outros achados do estudo:
A terapia de fala combinada com antidepressivos deve ser a primeira opção de tratamento;
Eletroconvulsoterapia não deve ser a primeira opção;

Pacientes que tentaram um antidepressivo devem tentar outro medicamento;

Após duas tentativas de tratamento, a eletroconvulsoterapia deve ser considerada.

“Embora a escolha do tratamento seja pessoal, nosso estudo sugere que a eletroconvulsoterapia deve estar na mesa como uma opção realista logo na terceira rodada de tratamento”, diz eric ross, principal autor do estudo e pesquisador da faculdade de medicina da universidade de michigan.

A pesquisa mostrou que, atualmente, pacientes recebem eletroconvulsoterapia após tentarem cinco a sete antidepressivos. Ainda, estudo feito em 2011 mostrou que 0,16% dos pacientes com depressão receberam ECT nos EUA.

Evidências sugerem que metade dos paciente que experimentam ETC tem alívio imediato e completo — circunstância conhecida como remissão. Depois de um ano, no entanto, um terço deles recaem e voltam a apresentar sintomas.

Procedimento é feito em hospital
A ECT induz uma convulsão controlada por meio da corrente elétrica. De acordo com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é muitas vezes um dos poucos tratamentos capazes de retirar pacientes da ideação suicida.

A aplicação é feita em ambiente hospitalar, com anestesia. Estudos apontam para a ocorrência de perdas temporárias de memória, que tende a voltar após o tratamento.

Normalmente, os tratamentos começam com várias sessões nas primeiras semanas, seguidas por um programa de manutenção breve ou de longo prazo a depender do caso.

G1

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