Santander, Caixa e Banco do Brasil Devem usar Blockchain para Transferências

Por: Ipu Online em | 4.6.18 | 0 comentários


Bancos utilizando Blockchain para facilitar transações entre correntistas de diferentes instituições financeiras nos remete a uma cena futurista, mas está prestes a acontecer. Santander, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, SICOOB e Banrisul se juntaram num projeto que envolve um novo serviço digital baseado justamente no Blockchain.

O novo sistema foi apresentado no 11º Fórum Internacional de TI Banrisul e se chama Sistema Financeiro Digital (SFD), o qual vai permitir a transferência de recursos entre correntistas de todos os cinco bancos envolvidos.

Com essa inovação os bancos prometem que as transações ocorrerão 24 horas por dia, sem excluir fins semana, e o dinheiro cairá na hora.

Segundo informações do Vicente Nunes do Correio Braziliense, para o correntista ter acesso ao novo sistema sequer precisará baixar um novo aplicativo. A ferramenta estará disponível nos mobile banking por meio de atualização.

Diferentemente do que ocorre no internet banking em transferências por DOC ou TED, o usuário, no SFD, não precisará informar CPF, número do banco, agência e conta corrente para fazer transferências bancárias.

Intitulado “Sistema Financeiro Digital – Tendência ou Realidade?”, o painel foi apresentado na quinta-feira (24), em conjunto pelo gerente executivo da Unidade de Transformação Digital do Banrisul, Ranieri Fernandes; pelo gerente de Arquitetura Corporativa do SICOOB, Márcio Rodrigues; pelo gerente da Divisão de Engenharia de Software do Banco do Brasil, Bruno Schmidt; e pelo gerente executivo de Arquitetura de TI da Caixa Econômica Federal, Paulo da Costa.

O painel foi moderado por Julio Brunet, diretor da Banrisul, o qual afirmou que o SFD resultou da colaboração dentro do sistema empresarial que é conhecido como o mais competitivo do Brasil: o sistema financeiro.

Ranieri Fernandes explicou que o SFD é um experimento das áreas de tecnologia da informação das instituições financeiras participantes do projeto, “com o objetivo exclusivo de explorar as potencialidades e benefícios da tecnologia Blockchain”.

Márcio Rodrigues, gerente de Arquitetura Corporativa do SICOOB, apesar de afirmar que “é muito improvável que essa estrutura pare” deixou claro que “se parasse teríamos um caos no sistema financeiro brasileiro”.

O executivo da SICOOB não escondeu a necessidade de se pensar em novos modelos. “A adesão das instituições financeiras, assim como dos clientes, é espontânea. Esta é a primeira rede permissionada de blockchain em instituições financeiras do Brasil, e a única de que se tem conhecimento”.

Não há como os bancos negarem a importância do Blockchain. Isso foi reconhecido até mesmo por Gary Cohn, ex-COO do banco Goldman Sachs e ex-diretor do Conselho Econômico dos Estados Unidos.

Bruno Schmidt explicou que “o Banco do Brasil criou um laboratório para estruturar este projeto e os bancos disponibilizaram funcionários para trabalhar em conjunto”.

Apesar de pronto e de ter funcionado perfeitamente no dia em que foi apresentado durante o Fórum, o SFD não deve ser anunciado aos correntistas tão cedo, tendo em vista que “os bancos foram pressionados pelas bandeiras de cartão de crédito para adiar o lançamento da ferramenta”, segundo informa Vicente Nunes em seu blog.

Sistema Financeiro Digital
A transferência de valores através do Sistema Financeiro Digital (SFD) ocorrerá sem participação de terceira parte tendo em vista que o sistema será peer-to-peer pelo Blockchain, assim como funcionam as negociações com moedas criptografadas.

No lugar de terceiros, o que se tem no Blockchain é um livro contábil público (Distributed Ledger Technology – DLT).  Isso certamente vai baratear custos com intermediários, pois as transferências de recursos não precisarão passar por custódia de uma terceira parte. Basta saber se essa redução de custos terá impacto positivo na vida dos correntistas.

Bem apontou, entretanto, Paulo da Costa, gerente executivo de Arquitetura de TI da Caixa Econômica Federal da Caixa Econômica Federal, ao revelar que o próximo desafio será o cultural porque “as pessoas ainda não conseguem pensar em um modelo sem intermediários”.

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