Garoto no RN cata latinhas para pagar inscrição em Mundial de Jiu Jitsu

Por: Ipu Online em | 10.9.18 | 0 comentários


Onze anos e uma paixão pelo Jiu Jitsu. Carlos Emanoel é um daqueles garotos especiais, bom filho, bom aluno e cheio de sonhos. Aos três meses foi adotado pela Eva Cirino junto com o companheiro que queria muito ser pai. No inicio era a alegria da casa, mas em um determinado momento da história dos três, o esposo da Eva não aceitava mais o garoto e abandonou mãe e filho. Sem o pai, com a mãe desempregada, Carlos passou a apresentar sintomas de depressão e só voltou a sorrir e sonhar, após conhecer o Jiu Jitsu.

“Ele estava com depressão e tomava medicação para conseguir dormir devido a tudo o que passamos. Um dia eu estava sentada com ele na calçada e passou um rapaz com o menino de quimono. Então o Carlos pediu para eu perguntar onde era a academia e eu perguntei primeiro se pagava pra ter aulas no local. O rapaz disse que não pagava nada, só precisava ser disciplinado, ter boas notas na escola e obedecer aos pais. No mesmo dia, eu levei o meu filho e há dois anos ele pratica o esporte. Está bem melhor e segue conquistado suas medalhas” disse a mãe orgulhosa.

Mas para sonhar cada vez mais alto no esporte, o Carlos precisa participar das competições. Desempregada, com dificuldades para manter as despesas da casa, pagar as viagens do jovem e até a inscrição era algo inviável. Até que o próprio garoto teve a ideia de catar latinhas e garrafas pet com a mãe.

Eva mora na zona norte de Natal e para alegria do menino e da mãe, logo na esquina da rua tem um bar sempre movimentado. Foi justamente vendo a quantidade de latinhas espalhadas nas calçadas, após os eventos promovidos no local, que o Carlos achou a solução para pagar sua viagem e disputar um Mundial de Jiu Jitsu em Fortaleza/CE.

Durante quatro meses, Carlos e a mãe esperavam o bar fechar para começar a procura pelas latinhas. O quilo da latinha de alumínio rendia ao garoto R$ 3 reais, já a garrafa pet vale R$ 0,25 centavos. Com o dinheiro arrecadado ele viajou para Fortaleza e participou da competição. Resultado? Sorriso no rosto e medalha de ouro no peito.

O esforço do garoto, a vontade de vencer e o apoio da mãe permitiram que o jovem Carlos Emanoel subisse no pódio e mostrasse que os obstáculos surgem para testar nossa força. O esporte, a arte marcial, devolveu o sorriso de um garoto de onze anos que sonha seguir na modalidade e ser professor – repassar a outros meninos tudo o que aprendeu.

Bela história
Quando atendi a ligação da Eva pela primeira vez na redação da TV Ponta Negra, ao escutar a voz daquela mãe emocionada, cheia de necessidades,  esperança e pedindo para que ajudássemos o filho dela, eu sabia que tínhamos uma história que precisava ser contada. A nossa torcida é para que os dois permaneçam unidos e cada vez mais fortes na busca pelos seus sonhos. Esperamos que algum empresário ou autoridade estadual possa ajudá-los para que a chama desse garoto, a vontade de vencer, jamais se apague, independente da falta de apoio que o esporte brasileiro vive, seja qual for a modalidade. Para ajudar, basta ligar para o número 98813 7310.

Portal OP9



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