Cãezinhos podem agir como importante “remédio” no tratamento de enfermidades

Por Ipu Online — publicado | 4.11.18 | 0 comentários


É de impressionar a conexão do menino Pedro Greilich, 11 anos, com Baruc, seu cachorro de estimação. E não é pra menos, eles já enfrentaram muitos desafios juntos. Considerado membro da família, o animalzinho passou a fazer parte desta história quando o garoto, à época com 5 anos, foi diagnosticado com leucemia. Segundo Gabriela Mendes, na ocasião, o filho pediu um cachorro parecido com um "lobo branco". Os pais, prontamente atenderam à solicitação. E não deu outra.

A mãe lembra que o animal chegou trazendo diferentes alegrias. "O Baruc veio para ajudar o Pedro nessa etapa da vida, que era sua ressocialização depois de um longo período de tratamento com quimioterapia e do isolamento necessário de outras crianças. Além disso, o Baruc contribuiu na imunidade do Pedro, que teve uma melhora significativa logo após os dois primeiros meses de convívio", recorda Gabriela.

O sentimento de amizade e a cumplicidade quase foram interrompidos por uma circunstância inusitada. Poucos meses após integrar a família, o cãozinho saiu portão afora e acabou sendo levado por um homem. Dois dias depois, graças aos apelos na mídia e nas redes sociais, Baruc foi devolvido ao seu dono. Hoje, aos 11 anos e curado da doença, Pedro revela todo o seu afeto pelo animalzinho de estimação: "somos mais que amigos, somos irmãos", compara.

Ciência
De acordo com o médico veterinário e professor da Universidade de Fortaleza Francisco Esmaile, é possível perceber inúmeros benefícios à saúde a partir da convivência com os animais. "Há bons resultados no que diz respeito à pressão arterial e pode servir também como auxílio ao bom estado imunológico do indivíduo".

Os estudos realizados no campo da Terapia Assistida por Animais demonstram que os resultados da prática podem favorecer ainda pacientes com autismo, Alzheimer e síndrome de Down.

Segundo o veterinário, a probabilidade de quem convive com animais desenvolver problemas de depressão é menor, assim como a tendência à ansiedade. "A convivência com eles aumenta os índices de serotonina, que são neurotransmissores que proporcionam o bem-estar e também melhoram o humor", conclui Esmaile.

Sobre as espécies indicadas para realização de Terapia Assistida por Animais, o professor é assertivo ao dizer que animais como gatos, coelhos e aves também são bem-vindos, mas a maior parte dos trabalhos desse gênero é realizada com cães: "desde que eles sejam dóceis, possam aceitar carinho, abraços, sem resistência. Que sejam calmos e bastante familiares", explica.

Projeto
Desde 2016, o Hospital da Unimed de Fortaleza proporciona às crianças em tratamento a oportunidade de vivenciar momentos de alegria junto aos cães terapeutas. Todas as terças-feiras, quando eles entram na ala infantil, o encantamento é geral, dos menorzinhos aos mais crescidos. As mãozinhas que tocam, timidamente, os focinhos, aos poucos vão conquistando maior intimidade.

Cibele de Jesus, 11 anos, afirma que esse é um grande momento para quem, a exemplo dela, não tem animais de estimação em casa: "as crianças todas se derretem quando encontram com os animaizinhos", descreve aos risos a paciente internada no hospital há 2 semanas. Com Melissa Cavalcante, 8 anos, não é diferente. Ela também faz questão de receber a visita dos cães terapeutas no hospital. "Eles me deixam muito mais feliz", explica a menina.


As duas pacientes são beneficiadas pelo "Pet amigo", projeto que leva os bichinhos à unidade de saúde para promover o contato com as crianças que, muitas vezes, acabam mudando de postura em relação ao tratamento de saúde. "A gente observa que, quando elas participam do projeto, ficam mais tranquilas e aderem melhor ao tratamento. Além disso, os familiares interagem entre si e acabam criando um vínculo", ressalta Roberta Cristina, psicóloga do hospital.

Recompensa
A condutora e adestradora de cães Mariana Braz, do Instituto Cão Vida Lui, responsável pelos animais do projeto, explica que eles são treinados, preparados e triados para lidar com diferentes tipos de público e para auxiliar em diversas vertentes terapêuticas. "O vínculo da criança com o cão vai facilitar com que o terapeuta, independentemente da área, acesse essa pessoa, fazendo com que ela se abra e se sinta melhor" .

Prova do que Mariana diz é Cauã, 2 anos, internado após sofrer um traumatismo causado por uma queda e, desde então, ficou com receio de andar e de se mexer. A fisioterapeuta que acompanhou a evolução do quadro da criança já tinha dado o sinal verde em relação às funções motoras, mas o medo impedia o menino de se aventurar novamente.

Ao encontrar os cães terapeutas, no mesmo dia em que recebeu alta, o pequeno Cauã pôde voltar à essência do que é ser criança. "Quando ele tirou todos os aparelhos, avisaram que haveria a visita dos cachorro no hospital. Nossa, quando eu cheguei aqui, vi no rosto dele a alegria que eu não via há 4 dias", diz a mãe do garotinho, Evandra Queiroz.

Diário do Nordeste



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