Mostra comercial em Milão tem estande com trabalhos manuais cearenses

Por Ipu Online — publicado | 2.12.18 | 0 comentários


Do Ceará até a Itália, são mais de 7 mil km de mar e também de um pouco de terra. Foi tudo isso que o cearense José Lourenço Gonzaga atravessou no dia 28 de novembro para divulgar o trabalho que realiza com xilogravura há mais de trinta anos, em Juazeiro do Norte. Quando saiu de sua cidade com esse propósito pela primeira vez, em 1989, o destino era Fortaleza, a convite do pesquisador Gilmar de Carvalho. Não fosse aquela primeira porta aberta rumo a uma exposição na Universidade Federal, talvez ele não tivesse chegado tão longe. Agora, ele está presente na "L' Artigiano in Fiera", 23ª Mostra Mercado Internacional do Artesanato, que prossegue até o dia 9, em Milão, na Itália.

A travessia que fez, saindo dos 38 graus do Cariri para os oito da Europa, conferiu ao artista um grande senso de responsabilidade. "Isso tudo estou vivendo com pé no chão, sabendo que sou artista lá do interior do Ceará, que tenho compromisso não só comigo mesmo como artista, mas com as outras pessoas que trabalham comigo. Represento aqui não só José Lourenço, mas todo um movimento artístico, cultural, de uma região importante do Estado", evidencia o xilógrafo.

Com foco na ampliação do mercado para o artesanato cearense, a comitiva que saiu daqui - incluindo a primeira-dama, Onélia Santana, e a Coordenadora do Programa de Desenvolvimento do Artesanato do Estado, Amanaci Diógenes -, levou tipologias como areia colorida, argila, fibras vegetais, madeira, metais, fios e tecidos (renda de bilro, labirinto, filé, tecelagem, crochê e bordado). Todas comercializadas durante os nove dias de evento.

"Como cearense e filha do Cariri, berço da cultura do nosso Estado, fico muito orgulhosa em saber que nosso artesanato está ganhando o mundo. Esse reconhecimento é graças a uma política de investimentos do Governo do Ceará ao segmento artesanal", destaca a primeira-dama.


Valorização
Não é a primeira vez que artesãos do Estado participam de eventos como esse. Em 2017, por exemplo, a Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, em Portugal, contou com o estande "Artesanato do Ceará - Mãos que fazem história". A artesã Maviniê Mota, que há mais de três décadas ganha a vida colorindo garrafinhas, quadros, chaveiros, entre outros objetos, preparou peças exclusivas para expor em Portugal naquele período. Na ocasião, ela criou diversos produtos com paisagens icônicas de Vila do Conde. Apesar de não ter viajado a Milão dessa vez, suas peças atravessaram mais uma vez o oceano.


Quem visitar a feira italiana poderá ver José Lourenço confeccionando xilogravuras. As peças que serão comercializadas por ele vão retratar a zona rural, o movimento religioso, o reisado, a banda cabaçal etc. Como ressalta Amanaci Diógenes, "essa retomada na participação de feiras internacionais, busca exatamente a ampliação dos canais de comercialização", e, assim, o alcance cearense será mundial.

Foto: Gentil Barreira
Diário do Nordeste


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