Elevador de prédio onde mulher morreu tinha problemas constantes

Por redação Ipu Online | publicado | 1.2.19 | 0 comentários


Antigo, o elevador em que morreua agente sanitária Mara Sousa dos Santos passava por problemas constantes, segundo moradores ouvidos pelo Diário do Nordeste. O edifício conta com um elevador mais moderno, mas também, segundo relatos, está sem operar há mais de um ano. Mara faleceu na manhã da última quarta-feira (30), após cair no fosso do equipamento, do sexto andar do Edifício Residencial Pimentel, no Centro de Fortaleza.

Segundo uma moradora identificada apenas como Mercedes, o elevador parava de funcionar constantemente, deixando seus usuários presos. Além disso, complementa, não funcionava nos dois primeiros andares do prédio. "Ele não para no primeiro andar, onde eu moro, então o problema já começa aí. Só para do terceiro em diante e por isso eu nunca uso ele, graças a Deus, mas sei que são muitos problemas e nunca tinha manutenção preventiva", diz.

Moradora do 7º andar, a comerciante Meire Costa confirma a informação, alegando já ter ficado presa em uma dessas ocasiões. "Todo dia ele 'dá o prego'. Uma vez quase fico asfixiada, mas comecei a bater na porta e me tiraram logo", conta. Segundo Meire, o equipamento só era visto por técnicos quando parava de funcionar. "Esses prédios muito antigos precisam de manutenção sempre e não só quando dá problema", avalia.

Segundo comentários entre residentes e funcionários do edifício, Mara teria se distraído e não percebido a ausência do elevador por estar falando ao celular. Para Meire, outro indício de problema, uma vez que a porta deveria permanecer indisponível até a chegada do equipamento. "Era para estar lacrada, mas não estava". Na porta do equipamento, atualmente interditado até a conclusão da perícia, um aviso alerta aos usuários para nunca abrir a porta antes da chegada total da cabine. No local, o funcionário da portaria não quis dar maiores informações, mas confirma que ele mesmo colocou o aviso, em virtude do risco iminente.

Vulnerabilidade
Elpídio Brígido, engenheiro mecânico e proprietário de uma empresa especializada na manutenção de elevadores em Fortaleza, explica que grandes vulnerabilidades nos elevadores concentram-se justamente no sistema de porta.

Entre os equipamentos antigos e novos, explica ele, a diferença é que - até o ano 2000 - os elevadores de prédios residenciais multifamiliares podiam ser fabricados com portas do tipo eixo vertical (em que próprio passageiro abre manualmente a porta). Desde 2000, no entanto, a Norma Brasileira referente à fabricação de elevadores (NM 207) proíbe esse tipo de porta (semiautomática) e exige que os equipamentos tenham abertura automática. Conforme o engenheiro, isto reduz o número de ocorrências como a que vitimou a agente sanitária.

Brígido esclarece, ainda, que há dois tipos de manutenção: a corretiva e a preventiva. Nesta última, afirma, os contratos estabelecem que as manutenções sejam mensais.

Na incidência de um óbito, a responsabilidade pela ocorrência deve ser definida por meio de investigação criminal pautada numa perícia técnica, segundo explica o advogado criminalista Márcio Vitor Albuquerque. "Existe, neste caso, a responsabilidade penal e civil, que pode decair contra a empresa responsável pela construção do elevador como, dependendo do caso, em desfavor do próprio condomínio. Mas, para isso, é preciso uma perícia conclusiva, que ateste o porquê do mau funcionamento desse equipamento", destaca.

A reportagem entrou em contato com o advogado do proprietário do edifício mas, até o fechamento desta edição, a demanda não foi respondida. Na quarta-feira (30), no entanto, o dono havia manifestado nota de pesar, mas dito que qualquer outro pronunciamento somente após a conclusão do laudo pericial.

Diário do Nordeste

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