676 mortes confirmadas após passagem de ciclone em Moçambique

Por redação Ipu Online | publicado | 23.3.19 | 0 comentários



A passagem do ciclone Idai no sudeste da África já deixou 676 mortos, 1.528 feridos e 89 mil pessoas salvas e recolhidas nos centros de acolhimento, em Moçambique. As informações foram divulgadas pelas autoridades locais neste sábado (23). 

O fenômeno atingiu a costa do centro de Moçambique na manhã de 15 de março, o que provocou fortes ventos e chuvas que inundaram o interior do país e o leste de Zimbábue, deixando um rastro de destruição. O ministro de Meio Ambiente, Celso Correia, afirmou neste sábado que a região afetada pelo desastre alcança uma superfície de 3.000 quilômetros quadrados, apenas em Moçambique.

Após a limpeza das grandes avenidas e do resgate de pessoas ainda retidas em áreas inundadas, a próxima etapa é levar água potável à região para evitar doenças, afirmou a diretora do Unicef Henrietta Fore, que viajou a Moçambique para avaliar os danos. "O tempo é curto, estamos em um momento crítico", alertou na cidade de Beira. Fore expressou preocupação com a "água parada e os mosquitos". Também citou os "corpos em decomposição, a falta de higiene e de instalações sanitárias".

"Em Beira já foram registrados casos de cólera e as infecções de malária aumentam", alertou a Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha. "As doenças respiratórias também ameaçam virar um problema de saúde. Continua chovendo dentro das casas e para os desabrigados, que estão em escolas ou igrejas, o confinamento favorece a transmissão de doenças", advertiu a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF).

As agências da ONU e as ONGs se esforçam para socorrer as pessoas desabrigadas e com fome, mas a distribuição de ajuda é caótica. "A magnitude da situação vai muito além do que um país ou um governo podem fazer", declarou Gerry Bourke, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PAM).
-"Dezenas de milhares de famílias perderam tudo. Há crianças que perderam os pais e comunidades que perderam escolas e clínicas", comentou o secretário-geral da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Elhadj As Sy, que sobrevoou as zonas inundadas. "Devemos reagir rapidamente em grande escala e nos prepararmos para auxiliar a população afetada por um longo prazo", destacou.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu na sexta-feira à comunidade internacional que multiplique as doações. A ONU já liberou 20 milhões de dólares em um primeiro pacote de ajuda de emergência.  "Mas é necessária uma ajuda internacional muito maior", disse Guterres.

Buscas
A buscas aos desaparecidos e o auxílio às comunidades isoladas continuam. Só no distrito de Búzi, em Sofala, mais de 180 mil pessoas foram afetadas pelos fortes ventos, chuvas e inundações que atingiram também a países vizinhos, como Madagascar, Malaui, Zimbábue e a África do Sul. Aproveitando que, em algumas localidades, as chuvas deram uma trégua, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) está usando drones para vasculhar áreas isoladas onde moradores ficaram sitiados.

Parte dos desabrigados estão alojados em centros de acomodação e em escolas onde a todo instante chegam novas famílias. Nesta sexta-feira (22), o governo moçambicano prometeu que, dentro de, no máximo, 48 horas, abrirá novos centros “para aliviar as salas de aula ocupadas pelas populações que se abrigaram nos estabelecimentos de ensino”. 

Agência Brasil

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