Pai e madrasta são condenados pela morte do menino Bernardo em mais de 30 anos de prisão

Por redação Ipu Online | publicado | 17.3.19 | 0 comentários

O garoto foi assassinado há cinco anos, no Rio Grande do Sul, com uma super dosagem de medicamentos injetadoa pela madrasta. Outras duas pessoas também foram condenas pelo crime

Durante o júri, o MP leu trechos de depoimentos sobre Bernardo ser dopado pelo pai sem necessidade e sobre apanhar "de cinta" da madrasta - Foto: Arquivo
Após cinco anos do assassinato do menino Bernardo, morto aos 11 anos, quatro pessoas foram condenadas pelo crime. O julgamento durou cinco dias no Fórum de Três Passos, no interior do Rio Grande do Sul, cidade onde o garoto era conhecido por perambular com roupas velhas, com fome e passando dias fora de casa sem que fosse procurado.

Foram condenados o pai do garoto, o médico Leandro Boldrini, a madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini, sua amiga, a assistente social Edelvânia Wirganovicz, e o irmão da amiga, Evandro Wirganovicz. A juíza Sucilene Engler leu a sentença decidida pelos sete jurados às 19h de sexta-feira (15).

A madrasta do garoto teve a pena mais alta, de 34 anos e sete meses e reclusão em regime inicialmente fechado, por homicídio doloso quadruplamente qualificado - ou seja, quando a inteção de matar por motivo fútil, torpe, com meio cruel, e para acobertar outro crime - e ocultação de cadáver. Além disso, ela não pode recorrer em liberdade.

O pai foi punido com 33 anos e oito meses de prisão por homicídio doloso quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e fasildade ideológica. Edelvânia Wirganovicz, amiga de Graciele, recebeu 22 anos e de 10 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado e ocultação e de cadáver.

Evandro Wirganovicz, irmão da amiga de Graciele, teve pena de nove anos e seis meses em regime semiaberto por homicídio simples e ocultação de cadáver.

Julgamento
Durante o júri, o MP leu trechos de depoimentos sobre Bernardo ser dopado pelo pai sem necessidade e sobre apanhar "de cinta" da madrasta. Ele não contava sobre a violência para pessoas próximas e chegou a ir sozinho ao Fórum para pedir por uma nova família.

Os promotores Bruno Bonamente, Ederson Vieira e Sílvia Jappe também reproduziram áudios em que Bernardo grita por socorro, é provocado pelo pai e a madrasta chama sua mãe de "vagabunda".

Odilaine Uglione, mãe de Bernardo, foi encontrada morta no consultório de Boldrini em 2010. A avó do menino morreu em 2017 e desconfiava que a morte de Odilaine não havia sido por suicídio. Uma testemunha que acompanhou o médico até o enterro de Odilaine disse que Boldrini se referiu à mulher como "presunto".

A defesa de Leandro alegou que ele é inocente e que não sabia do crime. O pai reclamou da personalidade do filho. A madrasta, por sua vez, disse que o menino morreu por ingerir remédios sozinho. Edelvânia disse que foi pressionada a ajudar a amiga e isentou o irmão de qualquer participação no crime.

No primeiro dia do julgamento, duas delegadas relataram ligações telefônicas interceptadas que mostravam que a estratégia das defesas seria inocentar Leandro para que ele pagasse os custos do processo dos demais.

No total, 14 testemunhas foram ouvidas. A principal foi Juçara Petry, moradora da cidade que mais acolheu Bernardo. Ele chegou a passar 15 dias na sua casa sem que o pai entrasse em contato com ela.

Folhapress


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