Bitucas de cigarro e canudos plásticos lideram lixo encontrado na ‘Praia dos Crush’, neste sábado (08)

Por redação Ipu Online | publicado | 8.6.19 | 0 comentários


O mar de ondas fracas, azul forte e água na temperatura ideal era o retrato de um convite quase irrecusável para mergulho na Praia de Iracema, na manhã deste sábado (8), Dia Mundial dos Oceanos. Para cerca de 30 voluntários, porém, a comemoração se deu de outra forma, desde as 9h: com a realização de uma limpeza na faixa de areia da Praia dos Crush, entre o Espigão da Rua João Cordeiro e a Ponte dos Ingleses.

Equipados com luvas reforçadas, bonés e prancheta para contabilizar os itens, grupos de voluntários do Instituto Verdeluz recolheram bitucas de cigarro (centenas!), canudos e copos plásticos, garrafas de vinho, chinelo e até fragmentos de material hospitalar. A estudante Geovanna Castro, 25, é veterana na atividade e relembra o que já encontrou.
O mar traz tudo, não tem jeito. Já encontramos até barraca de camping, paletes, panelas e talheres."
Segundo ela, a parte mais difícil não é encarar o sol e os 30ºC de Fortaleza, mas a falta de educação dos frequentadores da praia. “Mesmo com a gente fazendo a limpeza, tem gente que joga o lixo na nossa frente. Acabou de acontecer, inclusive. Mas isso estimula a gente a lutar mais pela educação ambiental”, frisa Geovanna.

Educação
Para a estudante de Gestão Ambiental Hermeline Quirino, 52, o lucro da manhã foi além das moedas que achou ao longo da faixa de areia, antes de irem parar no mar. “É a primeira vez que eu venho, mas a gente fica impressionada com o que acha. Moeda, casca de frutas… Esses ambulantes aqui não têm cestos, o que piora tudo”, observa.

Se a falta de educação ambiental ainda é o maior obstáculo para diminuir a problemática da poluição ambiental e marinha, promovê-la desde a base é essencial. Entre tantos adultos, as figuras de João Pedro, 5, e Henrique, 3, se destacavam, com empolgação, entre os que retiravam lixo durante a ação. “Recolher o lixo é só o fim, mas o que significa mesmo é darmos o exemplo, mostrarmos que não é só discurso e conteúdo de escola – é importante preservar o meio em que vivemos”, salienta a analista de sistemas e mãe dos pequenos, Fernanda Tarbes, 40.

22 mil
tipos de resíduos sólidos foram coletados no Litoral de Fortaleza, em um ano

Sensibilizar a sociedade para a questão da poluição marinha, principalmente por resíduos plásticos, aliás, é o principal intuito da ação. Em pesquisa recém-finalizada, feita em 11 pontos do Litoral de Fortaleza, em 2018, o Instituto Verdeluz catalogou a presença de 22 mil tipos de lixo nas praias, como ressalta a advogada da entidade, Beatriz Azevêdo.

“Passamos duas semanas debatendo projetos de lei para diminuir a produção de plástico, e encerramos agora com essa ação. É um impacto à nossa saúde, também. Estudos comprovam que o peixe que consumimos tem microplástico dentro, que, se vier ao nosso organismo, pode gerar câncer. Não tem como causarmos danos à natureza e ele não voltar pra gente”, alerta.


Intercâmbio
A ação, organizada pelo Verdeluz, contou com a presença de Michael Torti, diretor do comitê executivo da ONG ambiental “Surfrider Foundation”, de San Diego, Califórnia, nos EUA – onde o comportamento nocivo ao meio ambiente não se difere do brasileiro. “Temos os mesmos problemas ambientais. As pessoas usam materiais plásticos todos os dias, e não temos um sistema para descartá-los de forma apropriada. Eles vão parar no meio ambiente, onde permanecem por milhares de anos”, lamenta Michael.

O intercâmbio de experiências Fortaleza-San Diego, inclusive, já trouxe uma ideia a ser aplicada na capital cearense, como explica o ambientalista norte-americano. “Compartilhamos informações e estratégias para as duas cidades, para aplicarmos em casa na volta. Aqui em Fortaleza, a organização [Verdeluz] vai lançar o programa que temos em San Diego, o ‘Ocean Friendly Restaurants’, para educar os donos dos comércios e ajudá-los a reduzir a produção de plásticos”.

Diário do Nordeste

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