Aluno encontrado morto em elevador da USP teve pescoço quebrado, diz laudo

Por redação Ipu Online | publicado | 3.7.19 | 0 comentários


O estudante Felipe Varea Leme, 21 anos, morreu após quebrar pescoço ao transportar armário no elevador da Poli, na Universidade de São Paulo (USP), é o que confirma o laudo divulgado nesta quarta-feira (3).

Varea era monitor de informática na Escola Politécnica da USP e recebia uma bolsa no valor de R$ 530,00 para dedicar dez horas semanais ao Serviço de Apoio ao Usuário com Problemas Técnicos (Help Desk).  

Como foi o acidente fatal
Em 30 de abril deste ano, o rapaz e outro colega receberam a orientação para mudar um armário de sala. Testemunhas no local afirmaram que a ideia de usar um carrinho para transporte de cargas partiu de um dos professores responsáveis pela Poli. As informações são do portal UOL. 

Os estudantes empurraram o carrinho até um pequeno elevador, com uso destinado exclusivamente para pessoas com necessidades especiais. Como apenas um deles poderia descer com o armário, Felipe, foi sozinho. Ele usou o próprio corpo para apoiar o carrinho e entrou de costas no elevador. Dois pregos ficaram do lado de fora e ao iniciar a descida, fincaram no chão. Imediatamente o armário subiu, quebrando o pescoço de Felipe. Segundo o laudo, divulgado nesta terça-feira (2), este foi o motivo de sua morte. 

Homicídio não intencional
A defesa da família de Leme, procurada pelo portal UOL, contou que o caso deve ser enquadrado como homicídio não intencional. "Diante das provas até aqui levantadas, tudo leva a crer que a morte de Filipe não foi uma mera fatalidade. Houve, ao que parece, negligência e imprudência por parte daqueles que deram a ordem aos meninos. A expectativa é a de que todos os possíveis envolvidos sejam responsabilizados pelo crime de homicídio culposo, sem intenção de matar", afirmou o advogado Euro Maciel Filho.

Para o advogado o caso reflete um "desvio de função, já que Filipe não estava ali para realizar serviço braçal". A família deve entrar com uma ação cível, onde a USP poderá ser responsabilizada. 

Sindicância na USP
A reunião de sindicância interna aberta pela Poli e marcada para acontecer no dia 27 de maio não se concretizou. Os membros da Escola Politécnica da USP chegaram a negar à família o direito de acompanhar a audiência, justificando que a presença deles poderia gerar uma “comoção nas testemunhas”. Os pais de Felipe, uma professora aposentada e um engenheiro, não se conformam em ter perdido o filho dentro da maior universidade do Brasil. 

Felipe, tinha 21 anos, cursava o 9° semestre do bacharelado em geografia e já havia dado entrada para iniciar os estudos também em licenciatura, porque sonhava em ser professor. Além disso, o rapaz era atleta e participava do time de vôlei da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH). Embora heterosexual, Leme resolveu entrar no time que celebra a diversidade e o orgulho LGBTQ+ e dizia que "heterofobia é coisa de complexado". Em seu velório, todo o time apareceu uniformizado. 

A indignação por parte dos amigos, estudantes e professores da universidade motivou a organização de atos que reivindicam o posicionamento da universidade e a busca pelos responsáveis. 


Arquivado em:

0 comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Ipu Online.