Leite materno é fundamental na prevenção de alergias alimentares em bebês, alertam especialistas do HRN

Por redação Ipu Online » publicado | 27.8.19 | 0 comentários


Manchas vermelhas na pele, vômitos, diarreia e sangue nas fezes são alguns sintomas da Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Um dos fatores de prevenção é a amamentação, que protege o recém-nascido de possíveis alergias alimentares, regula o apetite, evita a obesidade, além de proporcionar o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê, fundamental para o desenvolvimento da criança.

“Por a alergia ser uma doença mediada pelo sistema imunológico e durante a amamentação a criança receber toda a parte imunológica que a mãe adquiriu em toda sua vida, é de fundamental importância a amamentar. Os estudos mostram que o fator de proteção para a criança não ter alergia ou ter a possibilidade de ficar curada o mais rápido possível é a amamentação”, afirma Jamille Linhares, gastroenterologista pediátrica do Hospital Regional Norte (HRN), do Governo do Ceará, administrado pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH).

A médica lembra que não existem causas definidas para alergias alimentares. Estudos e pesquisas científicas mostram que existem fatores de risco, como uso de antibiótico na gestação, parto cesáreo, história de alergias anteriores na família, principalmente, rinossinusite e a introdução precoce de leite de vaca ou fórmula na criança. “A introdução precoce de leite de vaca ou fórmula na criança é o principal fator relacionado à presença de alergia alimentar. Quanto mais precoce o contato da criança lactente com o uso de fórmulas, maior a probabilidade de desencadear alergia alimentar”, ressalta.

Ela explica ainda que a introdução alimentar deve ser lenta e direcionada de acordo com a idade, sob as orientações de um profissional com experiência, seja um nutricionista ou pediatra, reforçando a importância do aleitamento materno. O principal tratamento para alergias é a exclusão do alimento, segundo a médica.

“O principal tratamento é a exclusão do alimento alergênico. Entretanto, todo paciente alérgico precisa ser acompanhado por um profissional com experiência, pois a alergia pode se comportar de maneira diferente em cada paciente. E quando o seguimento é feito corretamente, a criança chegará à cura”, garante. Durante a gestação, a mãe precisa excluir nenhum alimento. Mas durante a amamentação, a mãe da criança com alergia precisa fazer uma dieta de exclusão.

Diagnóstico
De acordo com a gerente de Nutrição do HRN, Patrícia Narguis Grun, o diagnóstico de alergia alimentar deve ser feito pelo gastroenterologista ou alergologista. Uma das responsabilidades do nutricionista é o auxílio na educação da família para entender o contexto da alergia.

“O nutricionista identifica os fatores de riscos e sintomas e faz a sinalização para a equipe médica. O diagnóstico é um processo e, após o planejamento inicial do médico, o nutricionista faz a adaptação nutricional para garantir ao bebê que tenha restrições alimentares o suprimento de toda a necessidade energética e nutricional”, explica.

O pequeno Bruno Henrique, de 1 ano e 10 meses, foi diagnosticado com APLV no HRN. A mãe da criança, Cleivanir Gomes, garante que hoje toma todos os cuidados necessários para que o filho tenha nenhum contato com leite de vaca. “Quando amamentava, não ingeri nada com leite. Depois do diagnóstico ficou mais fácil tratar”, declara. Hoje, a criança faz uso de uma fórmula cedida pelo Governo do Ceará, por meio do Programa de Alergia ao Leite de Vaca da Secretaria da Saúde do Estado.

Alergias, intoxicações e intolerâncias
As alergias são processos mediados pelo sistema imunológico, as intoxicações alimentares são respostas do organismo a microorganismos ou mesmo aditivos alimentares. A intoxicação alimentar geralmente é aguda, com tratamento rápido e que não tem alterações multissistêmicas, diferente da alergia alimentar. Já a intolerância é uma doença rara. Além disso, não existe relação entre pais e filhos serem alérgicos ou intolerantes. Ou seja, caso os pais sejam alérgicos ou intolerantes, não há evidências clínicas que os filhos serão.

Teresa Fernandes / ASCOM HRN

Arquivado em:

0 comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Ipu Online.