Bombeiros confirmam a 4ª morte no desabamento e mais 6 desaparecidos do Edifício Andrea

Por redação Ipu Online » publicado | 17.10.19 | 0 comentários


Uma equipe de resgate que trabalha sobre os escombros do Edifício Andrea, que desabou no Bairro Dionísio Torres, em Fortaleza, retirou um corpo do local na manhã desta quinta-feira (17), o terceiro dia de buscas. De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, Luis Eduardo Holanda, a quarta vítima morta após o desmoronamento ocorrido na terça-feira (15) é de um homem.

Por volta de 6h45, os socorristas usaram uma lona para cobrir o corpo que, após o resgate, foi levado pela Perícia Forense.

Durante a noite, o trabalho dos bombeiros ficou mais intenso após o registro de um contato com uma vítima soterrada. Voluntários fizeram orações e chegaram a aplaudir o trabalho dos agentes durante a madrugada desta quinta-feira.

DADOS OFICIAIS DO CORPO DE BOMBEIROS:
4 mortes
6 seguem desaparecidos nos escombros
7 resgatados com vida
17 vítimas no total

MORTES CONFIRMADAS
1)  Frederick Santana dos Santos, 30 anos, era entregador de água e estava no mercantil ao lado do prédio, no momento do desabamento. Bombeiros confirmaram a morte por volta das 23h30 da noite de terça-feira (15). 

2) Vítima não identificada. SSPDS informou que é uma mulher e que ainda está nos escombros do edifício. Bombeiros confirmaram a morte dela por volta das 8h da quarta-feira (16). 

3) Izaura Marques Menezes, de 81 anos, é avó do primeiro resgatado com vida do prédio, o jovem Fernando Marques. Os bombeiros confirmaram a morte por volta das 17h30. De acordo com a corporação, o corpo foi encontrado ao meio-dia e eles não conseguiram identificar a vítima. A SSPDS, depois, a identificou como Izaura Marques Menezes, após exames de odontologia forense (arcada dentária).

4) Vítima não identificada. O quarto corpo é de um homem. Ele foi retirado dos escombros na manhã da quinta-feira (17).

DESABAMENTO: O QUE ACONTECEU
O Edifício Andrea desabou na manhã desta terça-feira (15), por volta das 10h28, no cruzamento da Rua Tibúrcio Cavalcante com Rua Tomás Acioli, no Bairro Dionísio Torres, em Fortaleza. Lavrado em 6 de abril de 1982, o documento inscrito no cartório de registro de imóveis da 1ª zona, em Fortaleza, põe fim à versão de que o Edifício Andrea foi construído em 1994 e estivesse irregular, como a Prefeitura informou no dia do acidente. A empresa que fez a averbação do imóvel também difere do informado pelo Município, sendo a Imobiliária Alpha a responsável, e não a P&G Engenharia.

O documento, obtido em primeira mão pelo Sistema Verdes Mares, revela que cada um dos 13 apartamentos (2 para cada um dos seis andares e 1 para a cobertura) foi devidamente registrado com matrículas individuais, assim como o edifício. O regime de condomínio também foi definido no texto averbado pela Alpha.

A construção contou ainda com o financiamento do Banco do Ceará S/A (Bancesa), sob o aval do Banco Nacional da Habitação, de acordo com o documento. Ambas as instituições financeiras não estão mais ativas.

Respostas
Nesta quarta-feira, confrontadas com o documento registrado no cartório, as secretarias das Finanças (Sefin) e de Arquitetura e Urbanismo (Seuma) não se manifestaram até o início desta quinta-feira (17).

A execução da Lei de Inspeção predial é a principal cobrança sobre o Município, que continua sem revelar dados de fiscalização ou inscrição do edifício Andrea nos órgãos competentes para tal. A legislação existe desde 2016, mas houve seguidos adiamentos feitos pelo Município.

Multas de até R$ 10 mil são previstas para quem descumprir a lei, que consistem em quatro etapas: (1) contratar profissional que elabore laudo de vistoria técnica; (2) executar as obras; (3) protocolar os documentos para análise na Seuma; e (4) afixar o certificado de inspeção predial em local visível ao público.

A justificativa para o trabalho dos fiscais consta no site da própria Prefeitura: “A estrutura das edificações, assim como as instalações elétricas e hidráulicas sofrem desgaste. Em alguns casos, a deterioração é quase imperceptível, podendo causar incêndios e desabamentos”. Porém, o não cumprimento ainda acontece.

Diário do Nordeste

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