EUA não vão mais apoiar o ingresso do Brasil na OCDE, diz agência

Por redação Ipu Online | publicado | 10.10.19 | 0 comentários

Segundo o secretário de Estado, Mike Pompeo, EUA apoiam ingresso de Argentina e Romênia no clube dos países ricos. Líder do governo na Câmara afirma que é questão de "timing e prioridade"

Em março, Trump afirmou que iria apoiar a entrada do Brasil no órgão (Jim WATSON / AFP)
O governo dos Estados Unidos não vai mais apoiar o Brasil para o ingresso na Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), diz a agência de notícias Bloomberg.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, rejeitou o pedido de discutir a entrada do Brasil no clube dos países mais ricos do mundo de acordo com uma carta que foi enviada ao secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, no dia 28 de agosto e a que a Bloomberg teve acesso. Ele acrescentou que os Estados Unidos apoiam só a Argentina e a Romênia.

Segundo fontes do governo, a indicação da Argentina não é novidade. Desde os primeiros contatos da gestão de Jair Bolsonaro, os auxiliares do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixaram claro que a Argentina seria o país indicado pelos americanos. Já a Romênia é uma indicação dos europeus.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Major Vítor Hugo (PSL) está em Paris para um encontro da Rede Global de Parlamentares e afirmou que falou com o secretário-geral da OCDE.

"O que sabemos por aqui é q não há retirada de apoio dos EUA à entrada do Brasil na OCDE. Questão de "timing" e prioridade. Trump e Pompeo publicamente apoiaram. Chegaremos lá", afirmou Vitor Hugo. Ainda não há informação oficial do governo brasileiro sobre o tema.
 Há 40 dias, dizem pessoas ligadas à equipe econômica, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi informado por um representante do governo americano de que a indicação da Argentina ocorreria em breve.

Em março deste ano, o presidente Trump afirmou publicamente que endossaria a campanha brasileira para o ingresso na OCDE. Em troca de obter o apoio dos Estados Unidos, o Brasil prometeu abrir mão de seu "tratamento especial e diferenciado" na Organização Mundial de Comércio (OMC), que dá ao país maiores prazos em acordos comerciais e outras flexibilidades.

Uma das medidas efetivamente adotadas pelo governo brasileiro foi elevar para 750 milhões de litros, ante 600 milhões anteriormente, a cota para importações anuais de etanol sem tarifa. A medida vigorará por 12 meses e foi comemorada por Donald Trump, já que os Estados Unidos são os principais exportadores de etanol para o Brasil.

A OCDE
Estabelecida em 1961, a OCDE agrupa países com economias com elevados PIB per capita e Índice de Desenvolvimento Humano, considerados desenvolvidos. Atualmente, 36 países integram a organização. Popularmente, o colegiado é conhecido com o uma espécie de "clube dos países ricos".

O colegiado estabelece parâmetros e conjuntos de regras econômicas e legislativas para os membros. 

Atuação
Os integrantes do bloco trocam informações e alinham políticas para potencializar o crescimento econômico e colaborar com o desenvolvimento de todos os demais países-membros. A organização oferece um fórum de debates para os integrantes compartilhar experiências e buscar soluções para problemas comuns.

Requisitos para ingressar na OCDE
Além do apoio de países europeus, o Brasil tem de cumprir uma série de requisitos da organização para ingressar no bloco oficialmente, como iniciativas que buscam o controle fiscal.

Nos últimos anos, o Brasil vem tentando se enquadrar nas recomendações da organização.

Países-membros
Alemanha
Austrália
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Irlanda
Islândia
Israel
Itália
Japão
Letônia
Lituânia
Luxemburgo
México
Noruega
Nova Zelândia
Polônia
Portugal
Reino Unido
República Tcheca
Suécia
Suíça
Turquia

Folhapress

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