Arqueólogos usam tecnologia de laser para detectar cidade antiga no Camboja

Por redação Ipu Online » publicado | 14.11.19 | 0 comentários

Uma cidade extensa do Império Khmer, chamada Mahendraparvata, foi encontrada por arqueólogos por meio da tecnologia de escaneamentos aéreos a laser. Assim, foi possível mapear em detalhes a região pela primeira vez e confirmar a localização exata da cidade. A descoberta foi publicada na revista Antiquity.

Cidade conhecida como Mahendraparvata foi encontrada por escaneamento aéreo com laser (Foto: Archaeology Development Foundation)
Do século 9 ao 15, o Império Khmer dominou grande parte do sudeste da Ásia e é especialmente marcado pela importância de Angkor Wat, complexo de templos da antiga cidade de Angkor, no noroeste do Camboja. Mahendraparvata é anterior a Angkor e pode ter sido a primeira cidade em grande escala planejada e construída com demarcações.

As estruturas construídas no Império Khmer são, principalmente, de madeira e outros materiais perecíveis (que já desapareceram). Até o momento, os pesquisadores tinham acesso a evidências arqueológicas limitadas, como pequenos e isolados santuários que apontavam que a cidade estava na montanha Phnom Kulen. A vegetação densa e as minas terrestres não detonadas dificultam a análise física do local.

Por isso, os pesquisadores usaram o Light Detection and Ranging (LiDAR), tecnologia de escaneamento a laser para enxergar através da vegetação e fornecer modelos de alta resolução do solo da floresta.

Além disso, os arqueólogos analisaram 598 elementos recentemente documentados e os combinaram com as informações capturadas pelo LiDAR. Eles descobriram que a cidade tinha uma extensão de 50 km² em torno de uma área urbana planejada centralmente.

Mapa mostra linhas de grades na cidade Mahendraparvata (Foto: Antiquity)
Eles também encontraram lagos artificiais inacabados, sugerindo que o sistema de gerenciamento de água local não foi capaz de sustentar a produção de arroz antigamente. Mahendraparvata também conta com montes misteriosos que possivelmente datam de cerca de um milênio atrás — ainda não está claro para que eram usados; os pesquisadores descartaram práticas funerárias ou para moradia.

“O trabalho descrito encerra 150 anos de trabalho de mapeamento arqueológico na região da Grande Angkor”, escrevem os arqueólogos, que acrescentam que este trabalho é “crucial para a compreensão a trajetória histórica de Angkor e do Império Khmer".

Galileu

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