Restos mortais de três gatos são encontrados em múmia de 2,5 mil anos

Por redação Ipu Online » publicado | 27.11.19 | 0 comentários

No Antigo Egito, mumificar felinos era uma prática comum porque esses animais eram considerados sagrados


Ao analisar um gato mumificado que data do período do Antigo Egito, cientistas do Museu de Belas Artes de Rennes, na França, se surpreenderam ao encontrar restos mortais de três animais que foram reunidos como se fossem um só.

Os pesquisadores fizeram a descoberta após escanearem a múmia com um aparelho comumente utilizado em tumografias. Depois, eles criaram uma réplica do que foi observado no interior do artefato com o auxílio de uma impressora 3D.
Uma réplica do que foi observado no interior do artefato foi recriada com ajuda de uma impressora 3D (Foto: IRISA/INSA Rennes)
O modelo produzido digitalmente pelos pesquisadores foi apresentado na Jornada Europeia do Patrimônio deste ano e foi a "sensação" do evento, segundo um comunicado do Instituto Nacional de Pesquisa Arqueológica Preventiva (Inrap). Agora, o item será exposto no museu de Rennes, um dos maiores do país.

 "As múmias de gatos foram encontradas em grandes quantidades, às vezes em estados extremamente degradados", disse Théophane Nicolas, um dos responsáveis pela pesquisa, ao site Live Science.

Além de serem considerados sagrados pelos habitantes do Antigo Egito, os gatos eram mumificados para serem apresentados como oferendas aos deuses. Justamente por isso, a venda de artefatos do tipo se tornou algo lucrativo — e, por isso, passou a sofrer com falsificações. 

Artefato foi analisado por especialistas de diversas áreas, o que permitiu uma compreensão mais completa da múmia (Foto: IRISA/INSA Rennes)
No caso da múmia estudada, não está claro por que havia restos de três gatos diferentes, mas alguns especialistas suspeitam que esse era um esquema de sacerdotes mal intencionados.

Eles sugerem que, ou os responsáveis pela mumificação reuniam as ossadas para "fabricarem" múmias maiores, ou uniam restos mortais de diferentes animais para vendê-lo como sendo apenas um exemplar completo. "Nesse caso, esperávamos ver um gato e não vários gatos [mumificados]", afirmou um porta-voz da Inrap, em comunicado à imprensa. "Existem milhões de múmias de animais, mas poucas foram analisadas por aparelhos de imagem."

A réplica será exposta no Museu de Belas Artes de Rennes, na França (Foto: IRISA/INSA Rennes)
A equipe de Nicolas acredita que mais pesquisas são necessárias e não concordam com a hipótese dos sacerdotes golpistas. "Acreditamos, pelo contrário, que existiam inúmeras maneiras de fazer múmias de animais", explicaram os membros da equipe.

Os especialistas acreditam que o fato mais relevante do projeto não foram necessariamente as decobertas, mas as colaborações multidisciplinares entre pesquisadores de diversas áreas. "Isso possibilita o desenvolvimento de novas ferramentas inovadoras, tanto do ponto de vista científico quanto da valorização do conhecimento", pontuaram.
Análise da múmia feito por aparelhos de imagem (Foto: IRISA/INSA Rennes)
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