Polícia investiga a morte de mais um índio guajajara no Maranhão

Por redação Ipu Online » publicado | 16.12.19 | 0 comentários

Este é o quarto assassinato em menos de dois meses. A PM identificou cinco suspeitos, três adolescentes e dois homens, e os levou para a Imperatriz, onde as investigações estão concentradas.


A polícia do Maranhão investiga a morte de mais um índio guajajara. Esse é o quarto assassinato em menos de dois meses.

A Polícia Militar identificou cinco suspeitos de participarem do assassinato de mais um índio guajajara. São três adolescentes e dois homens, que foram presos e levados para Imperatriz, a segunda maior cidade do Maranhão, onde estão concentradas as investigações.

Eles são suspeitos do assassinato do índio Erisvan Guajajara, de 15 anos, e de outro jovem, José Roberto do Nascimento, de 23 anos, que não é índio. Os dois foram assassinados com golpes de facão.

O crime foi num bairro da periferia de Amarante do Maranhão, a 20 quilômetros da reserva indígena Araribóia. A polícia suspeita que os dois haviam se envolvido com traficantes de drogas.

Emocionada, a família do índio pede para que morte não fique impune. "Isso aí doeu dentro do meu coração. Mas deixe estar, Deus tá vendo", emociona-se Roseane Souza, tia do índio.

Segundo a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, que monitora a situação dos povos indígenas no estado, nos últimos dez anos, 36 índios foram assassinados no Maranhão. Só do mês passado para cá, quatro índios da etnia guajajara foram executados.

Os guajajaras vivem em terras constantemente ameaçadas pela presença de madeireiros, invasores e traficantes de drogas - já que, muitas vezes, as áreas indígenas são usadas para o plantio de maconha.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, determinou que a Força Nacional de Segurança atue por 90 dias na reserva Terra Indígena Cana Brava - a região fica a cerca de 200 quilômetros do lugar onde o adolescente Erisvan foi assassinado. E onde dois índios foram mortos a tiros no fim de semana passado.

A Funai disse que está acompanhando o caso e se colocou à disposição para ajudar no que for possível. A Comissão de Direitos Humanos da OAB no Maranhão cobrou das autoridades uma fiscalização mais rigorosa nas reservas indígenas.

“Essa proteção precisa ser uma atuação do Estado brasileiro. O Estado brasileiro tem uma responsabilidade com a ordem constitucional na proteção dos direitos dos povos indígenas", afirma Rafael Silva, presidente da comissão de direitos humanos da OAB.

G1

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