Nova linhagem do zika vírus pode provocar outra epidemia no Brasil

Por redação Ipu Online » publicado em | 25.6.20 | 0 comentários


Pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia descobriram uma nova linhagem do vírus da zika em circulação no Brasil. A evidenciação foi feita através de uma ferramenta que monitora as sequências genéticas do vírus e, pela primeira vez no país, os cientistas detectaram um tipo africano dele, com potencial para originar uma nova epidemia.

A pesquisa foi publicada no início de junho no periódico International Journal of Infectious Diseases (IJID) e serve como alerta para o Ministério da Saúde para a vigilância da doença no país.

Em entrevista à Globo News, Artur Queiroz, um dos líderes do estudo, disse que dois dados indicam que a linhagem circulou pelo Brasil em 2019. Para ele, “ela foi encontrada em dois estados distintos: no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro”. Além disso, “os hospedeiros que abrigavam os vírus eram diferentes: um mosquito ‘primo’ do Aedes aegypt, chamado Aedes albopictus, e uma espécie de macaco”.

Desde 2015, a zika levou ao nascimento de 3.534 bebês com Síndrome Congênita da Zika (SCZ). De acordo com o último boletim epidemiológico, a doença tem sido, entre as transmitidas pelo Aedes aegypty, a com menor número de casos em 2020, mas isso pode mudar com a nova linhagem.

Casos em 2020

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2020 foram notificados 3.692 casos prováveis do vírus da zika - número muito inferior aos 47.105 casos de chikungunya e aos 823.738 de dengue. Segundo os cientistas, com a nova linhagem genética, a situação pode mudar.

Linhagens distintas

Até o momento, são conhecidas duas linhagens do vírus da zika, a asiática e a africana (subdividida em oriental e ocidental).

A ferramenta do Cidacs acompanha, desde 2015, quais circulam no Brasil. Há mudanças notáveis nas 248 sequências genéticas analisadas ao longo do período: até 2018, a maior parte era de um subtipo asiático do Camboja (90%). 

Em 2019, outro subtipo passou a preponderar: o da Micronésia (89,2%). No mesmo ano, segundo o estudo, 5,4% das sequências eram inéditas no país, de linhagem africana.

De acordo com Artur Queiroz, há perigo de uma nova epidemia e a sua maior preocupação é que “a maior parte da população não tem anticorpos para isso”.

Estado de Minas


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